Um futuro para a Educação Artística em Portugal
O Clube UNESCO de Educação Artística constitui, desde 2008, um espaço permanente de discussão e afirmação da importância da Educação Artística em Portugal, e de difusão dos seus modelos e práticas.
Reunindo entidades de natureza diversa – a ASPREA e a Fundação EDP - a particulares com diferentes percursos profissionais e pessoais, acolhendo-se à sombra protectora e responsabilizadora da UNESCO, contando com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, este clube constituiu-se também como um parceiro da comunidade educativa na promoção da Educação Artística, e ainda como um interlocutor disponível para todos os que sobre ela agem, a nível institucional e particular.
Porque não tem um objecto vago nem objectivos difusos, o Clube propôs-se desde a sua criação a realizar dois trabalhos concretos. Primeiro, clarificar a diferença entre Educação Artística e Ensino Artístico, aquela, uma componente fundamental e necessária da educação de todos, este um caminho vocacional, mesmo que não exclusivamente profissionalizante. A percepção desta diferença é fundamental para a definição das políticas educativas e culturais que permitam formar cidadãos completos e não apenas uma força de trabalho.
Depois, chamar a atenção de que a questão da Educação Artística, nas suas várias declinações, não é assunto da tutela de um só Ministério ou sector. Ao lado da Educação, a Cultura não pode deixar de se interessar por uma área da qual provêm grande parte dos profissionais que criam cultura em Portugal, assim como a Economia não pode deixar de ver nela uma componente essencial da Inovação e Criatividade, ou o Trabalho e Assuntos Sociais perceber a especificidade das suas vias profissionalizantes e até o seu potencial na reinserção social. Não sendo a Educação Artística assunto para uma tutela governamental única, não pode nem deve ser assumida como uma responsabilidade exclusiva do Estado mas sim como uma prioridade de toda a Sociedade, educadores e cidadãos incluídos.
A existência de um clube para promover a Educação Artística em Portugal resulta assim da constatação da existência de uma lacuna importante no nosso sistema educativo e, logicamente, de uma necessidade correspondente que queremos ajudar a satisfazer. A lacuna é a ausência da disponibilidade de uma efectiva Educação Artística para todos no nosso país, tornando necessária, senão mesmo urgente, a percepção desta como componente essencial de uma educação de qualidade para todos, formadora de uma cidadania mais participativa e consciente.
Tendo sido criado para contribuir para essa consciencialização, o Clube UNESCO de Educação Artística, baseado no trabalho e da reflexão desenvolvidas ao longo destes três anos, que se traduziram em acções concretas junto de escolas dos primeiros ciclos e num número assinalável de conferências e apresentações, entra agora numa nova fase, renovando e actualizando as suas propostas tendentes a identificar e ajudar a satisfazer as necessidades do país em termos de educação artística, tendo em conta a dramática alteração das condições externas do seu trabalho, que são também as do país.
Esta renovação deverá assim continuar e ampliar as linhas mestras desenvolvidas no primeiro ciclo de vida do Clube UNESCO de Educação Artística, nomeadamente:
- Criando ligações ao Ensino Superior, aprofundando as relações com as suas instituições no que respeita à formação de professores, e à identificação de métodos de trabalho aplicáveis à generalidade do universo escolar;
- Alargando a actividade do Clube UNESCO de Educação Artística a outras áreas do país, com destaque para o Porto, explorando as relações com as instituições locais interessadas;
- Desenvolvendo as relações com as sociedades, colectividades e bandas musicais, que actuam frequentemente como pólos de ensino e da educação artísticos.
É com base neste trabalho que o Clube UNESCO de Educação Artística se propõe contribuir para a existência de um futuro para a Educação Artística em Portugal, entendendo-a como um direito e um factor imprescindível de desenvolvimento pessoal e nacional.
A Direcção